Temas e Conteúdos

 

Os eixos temáticos escolhidos para a construção da tecnologia educativa tentam refletir a diversidade das abordagens das ciências sociais (da ciência política, sociologia, antropologia). Ao mesmo tempo, dentro de cada eixo temático, foram selecionados conteúdos que pudessem servir ao desenvolvimento da imaginação sociológica e da crítica a alguns dos principais elementos de violência simbólica, especialmente o racismo, o etnocentrismo e o elitismo. Dessa maneira, a relação entre trabalho e sociedade, cultura e sociedade e política e sociedade foram estabelecidas a partir de alguns pressupostos básicos.

O primeiro pressuposto, de ordem geral, é que os conteúdos apesar de não serem por si mesmos fatores suficientes para questionarem as formas de violência simbólica, podem cumprir, quando tratados de forma a explicitar discursos e pontos de vista que foram historicamente reprimidos e marginalizados, uma função crítica importante. Dessa maneira, os temas escolhidos não foram necessariamente novos, mas procuramos selecionar dentro dos temas alguns tabus – ou seja, aquilo que não era dito ou simplesmente silenciado -  e explorar as múltiplas visões sobre os acontecimentos que eram assim silenciados. Logo, os temas como a criminalização dos movimentos sociais e das camadas populares, o preconceito de cor e de marca, a desvalorização do trabalho manual e dos trabalhadores foram explorados de maneira a tentar construir uma ligação dos conteúdos com a experiência individual e coletiva dos alunos.

O segundo pressuposto foi de que os conteúdos precisavam guardar uma relação entre si, e dessa maneira, cultura, trabalho e política tratam de diferentes ângulos de conteúdos comuns. Por exemplo, o preconceito contra o trabalho manual é abordado tanto no eixo Política e Sociedade quanto Trabalho e Sociedade, e o etnocentrismo é tratado no eixo Cultura e Sociedade e Política e Sociedade. Ou seja, no limite, essas formas de violência simbólica foram tratadas como se fossem “fatos sociais totais” e pensados em seus fundamentos econômicos, políticos e culturais. Essa ideia de totalidade também foi empregada no sentido de questionar o etnocentrismo e elitismo, ao mostrarmos como na realidade os povos não europeus e as classes trabalhadoras cumpriram um papel político e cultural central na história do mundo. Quer dizer, não somente considerar as formas de violência simbólica nessas múltiplas dimensões, mas tentar empregar informações e conteúdos críticos que também mostrassem essa dimensão econômica, política e cultural.

O terceiro pressuposto foi o de que deve existir uma radical diferença entre os conteúdos e a prática de ensino na educação básica e a prática de formação de profissionais de ciências sociais. Ou seja, o objetivo dos conteúdos na educação básica não é formar cientistas sociais. Essa afirmação que pode parecer um truísmo, tem sérias consequências, pois exige uma reformulação dos conteúdos e da forma como é executado o ensino em sala de aula. Sabemos da dificuldade de encontrar esse caminho, e aqui realizamos apenas uma tentativa. De maneira geral, o objetivo principal não é aprender conceitos ou dominar o pensamento de autores, mas criar condições para que o aluno use outro olhar para pensar certos conteúdos e sua própria condição. Por isso, tentamos não somente dar definições ou conceitos, mas criar uma relação de sentido entre o conteúdo tratado e a posição social dos alunos. Em cada eixo, usamos uma estratégia para tal.  

No eixo temático “Trabalho e Sociedade” (TS) consideramos os conflitos entre capital e trabalho como ponto de partida. Ao invés de falar da economia em si, apresentamos  à partir de determinados dados, o funcionamento da economia capitalista, o processo de produção de mercadorias e como estas mercadorias supõe uma divisão da sociedade em classes sociais. Assim, tentamos mostrar como as desigualdades sociais são formadas a partir de relações de exploração e como estas se expressam em desigualdades internacionais e internas aos países (campo-cidade e regionais). O trabalho surge então como uma experiência comum não somente como conceito, mas como elemento da experiência e organização social. Por outro lado, apontamos como na economia capitalista os trabalhadores passaram a ser reconhecidos como consumidores, mas tiveram dificuldades em serem reconhecidos como sujeitos políticos.

No eixo temático “Cultura e Sociedade” (CS), consideramos a cultura como um processo de simbolização. Quer dizer, o conceito de cultura foi pensado a partir de diversas referências da teoria antropológica, mas basicamente: 1) a cultura é um processo de simbolização que depende de condições materiais, 2) a cultura expressa e comunica, mas também orienta as ações. Dessa maneira, mais do que apresentar definições de cultura este eixo tentou mostrar certas formas de pensamento etnocêntrico/eurocêntrico e racista tentaram suprimir formas culturais de diversos povos pelo mundo. Com isso mostramos como a diversidade cultural foi objeto de opressão e colocamos a crítica do etnocentrismo não somente como uma transmissão de um conceito, mas como um exercício interpretativo de olhar a história e as culturas de outro ponto de vista.  Tentamos mostrar como os preconceitos de marca e de cor influenciam em acontecimentos e tentamos desconstruir a partir de diversos argumentos, as bases desses preconceitos. 

No eixo temático “Política e Sociedade” (PS) realizamos o mesmo exercício. Não somente apresentamos uma definição de política ou de Estado.  Tentamos mostrar como a política é experimentada, como existem diversas formas de fazer política e principalmente como existe todo um tabu em torno da participação dos trabalhadores e dos povos não europeus na política. Utilizamos “temas tabus” da história contemporânea, como a criminalização e a memória sobre as ditaduras, para mostrar como se realiza essa forma de violência simbólica que é o elitismo, ou seja, o reconhecimento da legitimidade exclusiva das elites para fazer política e ter direitos. Ao mostrar como essa forma elitista está enraizada no etnocentrismo que desde a antiguidade vem marcando as relações entre diferentes sociedades. E por fim, mostrar como os movimentos sociais dos trabalhadores e povos oprimidos conseguiram realizar mudanças sociais.

Os diferentes itens de cada eixo foram pensados para dar conta de quatro bimestres letivos e para três anos do ensino médio. O professor pode começar pelo item Cultura e Sociedade, Política e Sociedade ou Trabalho e Sociedade ou organizar os temas de maneira a combinar num mesmo ano letivo, por exemplo, Poder e Política na Sociedade Contemporânea com  Diversidade Cultural na História e no Mundo Contemporâneo. Não existe uma sequência obrigatória. Caso o material seja insuficiente para dar conta de quatro bimestres letivos, o professor pode acrescentar um item e manter a metodologia, do contrário pode suprimir e substituir

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textos. O material pode ser também como paradidático para complementar livros didáticos.

Outro ponto importante é a observação da relação entre os núcleos na prática de ensino. De maneira geral, podemos dizer que o Núcleo Principal está organizado em torno da linguagem audiovisual. Os vídeos foram pensados como a porta de entrada no conteúdo. Nesse sentido, a introdução da linguagem conceitual deve se fazer através dessas de atividades e por isso o uso dos textos do Núcleo Principal e Núcleo Complementar podem ser a base para essas atividades e não o “centro” ou o ponto de partida. Os textos do Núcleo Complementar e Principal podem ser fragmentados, substituídos e cumprir diferentes funções. Quer dizer, os textos do núcleo principal devem fazer parte de um exercício de produção de sentido e não somente de transmissão de informação do tipo “bancário”.

O uso do Núcleo Principal como ponto de partida deve estar associado a apropriação do conteúdo dos vídeos e imagens nas atividades e produção textual.  É interessante que os personagens dos filmes e documentários, os acontecimentos e situações sejam usadas como exemplos em exercícios e atividades (por exemplo, na elaboração de questões de múltipla escolha e de roteiros de palavras cruzadas). O mesmo é válido para o Núcleo de Aprofundamento em que existem textos e fontes primárias e esses documentos podem e devem ser usados para que os alunos façam apropriações em atividades diversas.

Os textos complementares do eixo Política e Sociedade podem ser usados para auxiliar na compreensão das diferenças entre ideologias políticas (liberalismo, comunismo, conservadorismo, anarquismo). Usando textos clássicos do século XIX e discursos políticos de personagens da história do século XX no Brasil é possível visualizar as lutas entre partidos, sindicatos, movimentos sociais e elites. Os textos complementares do eixo Cultura e Sociedade são de dois gêneros distintos. Primeiramente, existem alguns textos de antropólogos e sociólogos de caráter conceitual, basicamente aprofundando as definições de etnocentrismo, relativismo, cultura e ideologia. Alguns textos exemplificam situações de discriminação que possam ilustram como essas questões estão presentes no cotidiano. Os textos complementares do eixo Trabalho e Sociedade reúnem textos clássicos sobre a economia, a indústria e a divisão do trabalho. Também textos que tratam da questão agrária como um problema social estão reunidos de forma a ajudar na problematização das formas de desigualdade.

O uso destes textos depende das condições específicas de cada situação escolar. Mas é possível que fragmentos desses textos podem ser usados tanto com o Kurupira (através da produção de palavras cruzadas) ou associando-os a atividades de produção audiovisual usando vídeos e imagens da internet, de maneira que os alunos tenham de associar conteúdos textuais aos áudiovisuais. Enfim, esses textos (como outros) devem ser vistos como matéria prima para combinação em processos educativos específicos.

 

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